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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Nota no Varal



Nota-se tanto de mim e de ti
em nossas roupas penduradas no varal
quanto um paulista dá nota de si
ao pedir nota fiscal - paulista...


Fotografia e Texto: Fernanda Toscano

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Colega no Trabalho


Mariano faz tudo aqui, gosta mesmo de ser chamado à fazer algo de útil.
Detalhar uma função específica para Mariano? Ele dá suporte, é nisso que ele é bom!
Dá o passe pro gol, leva o cachorro pra passear, forra a cama pros outros deitarem, fura os quadros na parede e costura os buracos nas camisetas e fundos de calça, repara se as plantas estão precisando de água ou se alguém precisando de algo, pesquisa preços, mede o comprimento da cortina e repara se elas vão precisar de ilhós para correrem livres pelas paredes, dentre todas as outras tarefas que executa mentalmente na falta de algo novo a fazer.
Ele pensa em tudo, vai que os outros se esquecem de pensar naquele detalhezinho e todo o esforço de fazer acontecer vai por água abaixo?
Ai, ai, ai... Mariano tem até calafrios quando pensa nisso!
Calma, Mariano! Você é colega nosso, a gente entende.

Texto e fotografia: Fernanda Toscano

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dolores


Partiu-se.
Findou-se.
Acabou-se?

Ao invés de se plantar na saudade,
plantemos tudo em amores.
E a estrada brotando a verdade
revela menos dissabores.

Assim me disse de tarde.
Assim me amando: Dolores.

Fotografia e Texto: Fernanda Toscano

sábado, 4 de janeiro de 2014

Herança de Voinhas.



Costurando,
alinhavando o destino
emendando cado passo,
aceitando o desafio
tecido

na mão que orienta
na mão que examina
há sempre criação
e um caminho intercedido
tecido

cosendo o futuro
com agulha e muita linha
um pouco de alquimia
se adquire com a medida
bem tecida

e a firmeza pretendida
chega sempre costurada
nas linhas dessa vida
com a herança dos dois lados
da família.




Em Recife-PE
Fotografia e Texto: Fernanda Toscano

Maré calma

A maré estava silenciosamente calma.

Ninguém avistava ao longe,
as ondas quebrando aos montes
naquela maré assim tão baixa.

Mil lágrimas salgadas
formavam uma piscina clara,
bálsamo onde todos ali se banhavam
naquela maré assim tão rasa.

Pois quando uma mulher chora,
movimenta tudo oculto,
preparando o mundo
pra chegada da sua dádiva.

E a maré por existir,
levando e trazendo a água
em si já se torna a própria chegada da sua dádiva.

E a lágrima salgada vira a gota
que falta pra maré se encher de água.


Em Recife - PE.
Fotografia e Texto: 
Fernanda Toscano

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Horizontal



Às vezes passamos muito tempo procurando a melhor vista para olhar o horizonte largo, muitas vezes percorrendo as mais variadas estradas até encontrá-lo.
Finalmente, quando nos deparamos com ele e somos olhados de volta por sua grande cara larga, não sabemos como olhá-lo de volta, muito menos o que lhe responder.
É aí que percebemos como somos frágeis e minúsculos diante da vastidão de um horizonte infinitamente permeado de possibilidades em sua "largueza".
Daí se nota, que as possibilidades horizontalmente observadas, são frutos da capacidade humana de construir e, transpondo obstáculos, se recriar.


Diante da melhor vista
para o horizonte largo
infinitamente permeado
de possibilidades
Nos faltam palavras,
nos resta o olhar
da grande cara larga
olhando de volta
cobrando em ação
ao invés de palavras
lançadas com a mão
horizontalmente
frutificar a criação

Em Florânia-RN
Fotografia e Texto: Fernanda Toscano

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Primeira e última coisas

2013: A última coisa que fizemos
na despedida deste ano
foi uma mandala de Toscanos
2014: A primeira coisa que fizemos 
para saudar o novo ano
foi uma mandala de Toscanos


Em Florânia-RN
Fotografia: Renato Toscano
Texto: Fernanda Toscano

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Flor e espinho



É tão pouca flor, pra tanto espinho saindo.
E o que precisa furar, não fura nem de levinho.

De tudo mais que pensei
indo e vindo no caminho
só essa lição cactou
infincada no que sinto.

Em Florânia-RN
Fotografia e Texto: Fernanda Toscano

Semente no olhar


Naquele mato meio seco
encontro sementes ao vento.

Pequenos confetes no ar,
voando com o mês
de Dezembro.

Os tons do sertão
se abrindo,
ao teu olhar,
me projetam:

Esverdeado no escuro,
Caramelado concreto.

Nas cores que tocam
profundo,
retinas semeiam
me vendo.

E colhem
sentimento-fruto
no peito plantado
no vento.

Fotografia e Texto: Fernanda Toscano

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Doce luz , não























Ilusão: Achei ter mesmo visto alguém ao lado desse meu colchão, vazio.
Ilusão: Alguém com quem me segurei e atravessei o rio sozinho.
Ilusão: Pensei que fosse mesmo um doce e era sódio, tinta e gás.
No canudinho, um ódio à frio.
Na coca zero, um nunca mais.
Ilusão: No rastro tinto de um pé quente, um chão vadio reluzente.
Solidão, sombrio vão.
Demente é quem não sente a escuridão.
Ilusão: Goteira tênue em coração sangrando dor intermitente em seu chamor mais que tardio.
A voz do não chegando à fio.
Ilusão: Na compaixão, um quero não.
Quem nunca ou viu o reluziu na sofreção?
Cego dos zolhos da visão.
Surdez do ouvido-escutação.
Doce Ilusão.
Doce Ilusão.
Doce luz, não.

Em Florânia - RN
Fotografia e texto: Fernanda Toscano

Terra lavrada



Vem lá do ventre
e dói lá na alma
a terra arada
a ser replantada

E a mãe natureza
é quem mais ressente
de dentro de si
a raiz arrancada no dente

Uma a uma
vão sendo pinçadas
feito um derrame
de almas levadas

Na terra vermelha
já quase sem nada,
quem dera um exclame
pudesse expressá-la!

Se a dor foi semente
bem cedo plantada,
o peito é quem sente
no ventre a pontada

E a terra que morre
pra ser replantada
na dor veemente
das almas amadas.

Em Florânia-RN
Fotografia e texto: Fernanda Toscano

Nova vida

Quando a vida é mais forte, ela vence o medo de vencer.
Quando a vida insurge, ela vence o medo de seguir adiante, ela vence o medo de viver.
Quando a vida vence, não adianta o bezerro não querer nascer, não adianta o não querer do bezerro perto da força da vida que sempre há de vencer.
E depois de ter nascido, vencido pelo romper da vida, não adianta o seu não levantar, não adianta o seu receio de viver. Depois que a vida vem vivida, não resta espaço pro medo do bezerro.
Porque agora é ela quem quer, é ela que manda, a vida decidida.
E quando a vida vence, ela põe de pé o bezerro, mugindo com seu leite materno, acolhendo tudo que é erro.
A vida vem rompendo as cercas do não viver, a vida vem construindo um novo bezerro, de dentro pra fora da vida, agora insurgida no bezerro que vive a vida.




Em Florânia-RN
Fotografia e texto: Fernanda Toscano