Ilusão: Achei ter mesmo visto alguém ao lado desse meu colchão, vazio.
Ilusão: Alguém com quem me segurei e atravessei o rio sozinho.
Ilusão: Pensei que fosse mesmo um doce e era sódio, tinta e gás.
No canudinho, um ódio à frio.
Na coca zero, um nunca mais.
Ilusão: No rastro tinto de um pé quente, um chão vadio reluzente.
Solidão, sombrio vão.
Demente é quem não sente a escuridão.
Ilusão: Goteira tênue em coração sangrando dor intermitente em seu chamor mais que tardio.
A voz do não chegando à fio.
Ilusão: Na compaixão, um quero não.
Quem nunca ou viu o reluziu na sofreção?
Cego dos zolhos da visão.
Surdez do ouvido-escutação.
Doce Ilusão.
Doce Ilusão.
Doce luz, não.
Em Florânia - RN
Fotografia e texto: Fernanda Toscano

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