Brisa e tempestade.
Enquanto um vento chega suave, moldando aos poucos a paisagem; o outro chega imponente, devastando a história daqueles lugares.
Enquanto a brisa beija os cangotes, balança os vestidos e sacode os cabelos; a tempestade trucida os passeios e faz pesadelos com as nuvens no céu.
A brisa é paciente, é tolerante é o saber ventante.
Quando vê um obstáculo, a brisa passa suave e chega até a fazer curva. Ela simplesmente deixa sua marca leve, quase um carinho de quem sabe ser constante.
Mas a tempestade não, avisa alarmada, muito antes de chegar, que veio arrumar confusão. Ela é a própria ansiedade em forma de ar e tira as estruturas do lugar só pra afirmar, na força do ar, que sabe moldar.
A tempestade descobre as raízes das árvores, quebra seus galhos e atira longe o que está no caminho.
Pode ser uma viga ou até mesmo um passarinho. A tempestade ignora. E ignora os obstáculos porque tem a fome movimentadora do caos. O caos que devora e faz o vento girar com tanta força que atira tudo pra fora.
Passada a tempestade, deram pra tachar a brisa de frouxa, de quase nada no céu daquela praia. Ninguém percebeu que a brisa esteve movendo as dunas de areia pra depois da quebrada da praia.
Ninguém reparou o desenho dos troncos das árvores que a brisa moldava desde que elas foram plantadas na orla da praia.
Nem ninguém podia imaginar que só a lembrança daquela brisa era capaz de acalmar o meu peito toda vez que ele chorava por causa das tempestades passadas.
Fotografia: Fernanda Toscano (Praia de Boa Viagem - Recife/PE)
Texto: Fernanda Toscano (Vila Anglo Brasileira - Insights de Alecrim)
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