Na esquina da Heitor Penteado com a Nestor, bem perto do metrô da Vila, a mataram.
Não sei dizer se ela havia deixado a vida no exato momento em que a cortaram, ou se foi uma morte forçada assim, pelo progresso que nos rouba o espaço.
Enquanto os que passavam ali (e não eram poucos!) começavam a lançar seu olhar, precisei deixar meu luto sim, fincando meus pés no que mais parecia um altar: Saltadas raízes no asfalto-calçada e um tronco todo decepado!
Não havia mais choro em mim, plantada no resto cerrado.
Passados momentos e só, vestígios de mim também sendo cortados.
À frente o concreto e a dó, um mendigo no meio dos carros, vasculha os restos no pó de quem chega a ser milionário, diante dessa devastação. Diante do irreparável, me sinto cada vez mais só, perdida num total descaso.
Mas mantenho minha árvore ao sol, resisto no imaginário.
E enquanto o progresso destrói, ao redor todo esse cenário, eu finjo que já não me dói e prossigo com meus pés descalços.
Poesia e fotografia: Fernanda Toscano

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