domingo, 7 de setembro de 2014
Penso no Leblon
Aquele lugar podia ter qualquer nome: Arpoador, Ipanema, Leblon, Copacabana...
A sensação de estarmos no lugar errado persistia. Andamos tontos até quase a Rocinha.
Depois voltamos por um caminho que parecia um precipício.
Rafa reclamava com razão daquela altura.
Chegamos lá finalmente.
Espantamos o frio e o medo da escuridão daquele mar correndo soltos na areia. Areia de praia é mágica! Discorde quem puder.
Ao cortar a areia, recolhíamos respostas que o mar vinha soltando, pouco a pouco, em cada onda. Na espuma que beijava nossos pés, rastros de direção e pequenas dádivas em insights.
Rafa apanhava conchas enquanto eu olhava o desenho deixado por nossos passos.
Tanto se revelava naquele cenário: Fotos tremidas de celular, o hotel Marina aceso, músicas famosas que falavam do Rio tocando em nossas cabeças.
Eu quis pegar conchas de recordação pro Renan mas só achava pedras e lembrei dos meus pedidos à Iemanjá. Pensava: Quanto tempo ainda gastamos a esboçar situações ideais de felicidade enquanto perdemos as chances reais ?
O mar me surpreendeu numa onda enorme.
Achei que fosse uma resposta rápida em forma de banho surpresa. Percebi que a lógica do mar é a mesma do teatro: um segundo longe do presente e já não estamos em conexão.
Respirei o momento e agradeci o batismo.
Voltamos tão rápido que nem vi chegar o ponto de descida.
Ainda envolta em pensamentos, me deixo guiar.
Poesia e Foto: Fernanda Toscano
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