A Lua cheia em peixes.
Minha lua naturalmente em peixes, também cheia.
Na água guardada pela lagoa Rodrigo de Freitas, um céu refletido na superfície convive com a água guardada lá no próprio céu, à espera de se transformar em chuva. Ambos espelhos um do outro.
Ambos densos, céu e água, escurecidos pela ausência de sol.
De vez em quando uma garça aparece duplicada no reflexo da água pra dar a graça de Deus, ali, presente nos dois mundos. Garça ao mesmo tempo no céu e na água.
De vez em quando um peixe pula acolá só para lembrar da força do ar, imenso fora do universo água.
Supostamente estagnados ao olhar de um desatento, água e ar revelam seus constantes movimentos através de ondulações.
A água só se mexe se é onda e o ar só se mexe quando vira vento. Antes do acúmulo de mudanças que torna visível a transformação, é como se não existisse o tal movimento. É como se água e ar vivessem parados.
Mas se antes da hora parto já existe o nascimento, como podemos fingir não perceber todo esse movimento?
A água a encher o céu , o ar a esvaziar a água.
Lua, céu, lagoa: Que vista maravilhosa de uma estada carioca!
O mal cheiro que sobe de quando em quando lembra a sujeira adensada no fundo da lagoa e o almoço que ainda me faz muito mal.
O movimento revela o que lá no fundo ainda não é natural.
E na busca por sentir-se bem, só a onda e só o vento aproveitam o cenário carioca como ninguém.
Ainda bem!
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