domingo, 2 de novembro de 2014

Confesso

Em que espelho se encontrará refletida a verdadeira cara?
A imagem que aos poucos se revela, de si não sabe quase nada.

Em qual perdida ostra estará escondida a sua pérola?
E a verdadeira quimera, por qual arte se revela?
Em qual parte estará seu eu, assim repleto?

Esboços se indagam no escuro, em seus dias mais desertos:
Serão os oásis futuros, o fruto de um sonho incerto?
Ou apenas o descobrimento justo de um canto maduro e concreto?

Para qualquer sabida resposta, uma lágrima póstuma e somente o mesmo veto.
Desperto!

Corpos aos poucos se escaldam em seu dilema indigesto: Presto pra fazer tudo isso? Será mesmo que não presto?

Morro de amor
e detesto esse verso
pois cada dia que passa, nesse estado inquieto, põem-se na mesma balança os pesos de Márcio, Rodolfo e Roberto.

Em qual rima, se afundaria o homem mais perverso?
Será mesmo disso que fala à cara o espelho e seu reflexo?
Julgamentos tão modestos!

Pra quem hoje dorme em sua casa, nada mais parece inferno.
Enigmas de esfinge,  questões que afligem,  teatro e vertigem.

Nada mais é bem pior do que criar e não ter ninguém pra ver de longe e  muito menos ver de perto, confesso!

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