terça-feira, 2 de setembro de 2014

P'az'ul

Meditando em azul.


A paz que buscamos passa pelo azul do céu pra poder cair em nós.
O mar antes de se tornar verde é azul em sua origem e cor primária.
A água que cai do chuveiro é azul quando me acalma.
A piscina em dias de sol é azul-piscina de alma refrescada.
O fusca que me alegra as ruas é azul-calcinha, gracinhando todo-todo pra gente.
E eu, que não tenho uma calcinha azul, começo a notar as cores do meu guarda-roupa que falam mais de mim do que meu currículo. Aliás, o currículo deveria se atualizar toda vez que a gente veste azul.
As comidas quase não trazem a cor azul. Porque será?
A água e o ar parecem sugar dessa cor todo seu significado múltiplo.
Apesar de não serem realistas,  minhas estrelas, minhas nuvens e minhas flores sempre são azuis quando as imagino.
Por isso prefiro pensar que meu chá de Anis Estrelado é azul quando o tomo e que vai acendendo meu corpo todo por dentro. Ele tem um pouco dessas curas azuis.
O banho de Anil também transmuta em azul tudo que fica mal pintado pelo desbotar do passar dos dias. Por isso sempre que posso lavo as roupas com Anil pra ver voltar a vida pra onde o desgaste tinha ficado alojado.
Uma vez, me pediram pra desenhar a minha paz colorida.
Juntei toda essa resenha e fiz um desenho.
Era inverno do ano mais triste da minha vida, e eu voltei a sorrir em azul, a partir daquele dia.
Desde então dou graças ao azul.
Beijos, Querida.


Ilustração e Poesia: Fernanda Toscano

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