Eu vou falar
do quanto eu me segurei
pra não soltar,
eu relutei a desabar,
de onde eu cheguei
onde chegar?
onde chegar?
pra não voltar
me contornei
a me firmar
num meu lugar
só eu que sei
onde estarei
onde estará?
Eu vou falar
de cada fresta
a segurar
qualquer aresta
a me puxar
por não estar
onde esperei
onde esperar chegar?
aqui? lá?
tão cedo? já?
Eu vou falar
do meu pavor
de toda altura
revirando
a estrutura
me botando
na moldura
enquadrada amargura
um chão estranho
me segura,
me revela
me revela
me empurra, me entrega
me costura,
no fim de toda rua
é onde o sonho
brinda a lua.
Pra não chegar em qualquer vão
pra não sonhar um sonho vão
eu voo perto demais
rente demais do chão.
rente demais do chão.
eu voo, vamos demais, todos vão.
Fotografia Caio Zanuto
Poesia: Fernanda Toscano

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