terça-feira, 24 de junho de 2014

Perto demais do chão

Eu vou falar
do quanto eu me segurei
pra não soltar,

eu relutei a desabar,
de onde eu cheguei
onde chegar?


pra não voltar
me contornei
a me firmar
num meu lugar

só eu que sei
onde estarei
onde estará?

Eu vou falar
de cada fresta
a segurar

qualquer aresta
a me puxar
por não estar 
onde esperei

onde esperar chegar?
aqui? lá? 
tão cedo? já?

Eu vou falar
do meu pavor
de toda altura
revirando
a estrutura
me botando
na moldura
enquadrada amargura

um chão estranho
me segura,
me revela
me empurra, me entrega 
me costura,

no fim de toda rua
 é onde o sonho
brinda a lua.

Pra não chegar em qualquer vão
pra não sonhar um sonho vão
eu voo perto demais
rente demais do chão.

eu voo, vamos demais, todos vão.


Fotografia Caio Zanuto
Poesia: Fernanda Toscano


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