terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Fogueira do tempo


E o tempo passando
bem devagar
com seus segundos passando
a empurrar
os ponteiros andando
a preparar
o momento certeiro
a chegar.

Como se empilhassem
infindáveis tocos secos
de tempo passado,
de madeira cortada,
numa pilha imensurável
aos poucos sendo formada
prestes a reviver
prestes a acender
a chama
a queimar
tão alta
numa hora
a chegar
tão justa
pra reascender
pra revigorar
tudo que não é mais verde,
tudo que não é mais vida,
tudo que não é
mas
a ser
voltará.

E terá
antes que arder,
que verter,
que queimar,
nesse tempo passando
aos pedaços
não deixando
nada de morto
na estrada,
nada que não vá
transcender,
que não vá
resplandecer,
que não volte a vibrar.

Na fogueira
onde queima
amarela e vermelha
de luz bem acesa
de azul no seu centro,
lá onde insurge o novo,
queimando o epicentro
o tempo tão lento
nascendo
no rito
de novo
lá dentro
vivendo e
fazendo o viver
de tudo que
precisava morrer
pra poder renascer
bem de novo.

Fotografia e texto: Fernanda Toscano

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