Fotografia: Fernanda Toscano
Quando a ira
chegou antes do dia
invadindo aquela terra
revirando a minha casa
derrubou tudo que é porta
numa ruidora guerra
desfazendo as amarras
encerrando qualquer ciclo
quebrou todas as caras
desligou qualquer umbigo
com seu fim em disparada
espantou todos os seres
de paz, em revoada
levou em vendavais
tudo o que cresceu
lá trás
na crença
devastada
de quem só
se semeava
antes de colher
palavra
ou letra torta
lançada
E quem sequer
ouviu
a nossa voz engasgada
pasmou-se
com nosso grito
ao ver a terra
arrasada
em cacos, destroços
pontadas
da fúria ali mal-passada
no olhar de tal furacão
que pôs com todo seu sermão
num só chão, numa só vala
aquilo que
não morre
em vão
Peças de nossa
engrenagem
deixadas na beira da estrada
em gotas contidas
pra dentro
jorradas na objeção
tornando o semblante
mais duro
de quem era
agora só não
Quisemos a voz bem mais alta
Quisemos palavra mais dura
pra tirar daquele vendaval
Sua direção de amargura
Foi só o tempo, pai meu
que nos mostrou um sobrou
nas ruínas
que Deus nos deu
a firme base restou
Pr'além desse vendaval
Pr'além de todo adeus
destroços firmaram-me
forte
no solo que era só meu
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