Fotografia: Fernanda Toscano
choveu,
foi tanta semente
palavras-trovão e torrentes
escudo de mim tão latente
pingava em vermelho-sobrou
daquele fruto impaciente
brotava absurdo doente
molh'água bem forte a corrente
deixando afluir novamente
prevendo-se um ser diferente
Dilúvio-garoa-enchente
toró vem torando a vertente
lavada na mente que avoa
nascida em juízo contente
a terra bem fértil ecoa
molhada em razão,
permanente
percebe na água que escoa
um tempo, um prazer
transcendentes
Querer e não ter coisa à toa
foi dor que se fez permanente
fazendo um seguir até voa
com medo pousando o que sente
segredo, desejo que entoa
do seu calcanhar tão esquerdo
ao dente quebrado da frente
No gosto molhado em candura
poder encontrar novamente
a luz que precede o desgosto
e o rosto melado de fruta
partiu da cabeça mais dura
pra dança esperada na rua
no doce da carne ardente
a vida que sempre foi tua
é hoje um pingar coerente
da poça largada na chuva.

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